Guia da pós-graduação e da pesquisa em Psicologia
Os caminhos depois da graduação e como ler pesquisa com critério.
Continuar estudando depois da graduação é quase consenso na área. O que raramente se explica é que existem caminhos muito diferentes sob o mesmo nome, com finalidades distintas.
Os dois caminhos
Pós-graduação lato sensu. Especialização e aperfeiçoamento. Finalidade profissional: aprofundar prática em uma área. Não confere título de mestre nem de doutor e não é, por si só, o título de especialista do Conselho.
Pós-graduação stricto sensu. Mestrado e doutorado, oferecidos por programas avaliados pela Capes. Finalidade de pesquisa: formar quem produz conhecimento novo. Exige projeto, orientação, produção escrita e defesa.
Escolher entre eles não é escolher entre mais fácil e mais difícil. É escolher entre aprofundar prática e produzir conhecimento.
Como escolher um programa stricto sensu
Quatro critérios que importam mais do que o nome da instituição:
A linha de pesquisa. Você vai passar de dois a quatro anos nela. Precisa ser um assunto que sustente sua curiosidade em dia ruim.
A pessoa que orienta. É o fator isolado que mais determina a experiência. Leia o que ela publicou nos últimos anos. Converse com quem ela orienta hoje.
A avaliação do programa. A Capes atribui notas aos programas. Nota alta indica estrutura e produção consolidadas, não garante boa orientação.
Financiamento. Verifique a existência de bolsas e as condições de dedicação exigidas antes de decidir.
Ler artigo com critério
Essa é a competência mais transferível de toda a formação, e serve tanto para quem pesquisa quanto para quem atende.
Uma sequência que funciona:
Comece pelo método, não pelo resumo. O resumo diz o que os autores concluíram. O método diz se eles podiam concluir aquilo.
Pergunte quem participou e quantos. Amostra pequena e muito específica limita o alcance da conclusão, mesmo quando o resultado é estatisticamente significativo.
Procure o tamanho do efeito, não apenas o valor de p. Significância estatística responde se o efeito provavelmente existe. Tamanho do efeito responde se ele importa.
Verifique se houve comparação. Sem grupo de comparação, é difícil atribuir a mudança ao que foi feito.
Desconfie de resultado único. Achado que não foi replicado é hipótese promissora, não conhecimento estabelecido.
Escrever para publicar
A estrutura de um artigo empírico é estável: introdução que situa o problema e formula a pergunta, método que permite replicação, resultados sem interpretação, discussão que interpreta e reconhece limites.
Três recomendações que economizam meses:
Escreva o método primeiro. É a parte mais objetiva e organiza o resto.
Defina a pergunta antes de coletar dados. Pergunta formulada depois do resultado produz texto frágil e conclusão inflada.
Trate as limitações com seriedade. Texto que reconhece limites com precisão passa mais confiança do que texto que promete demais.
Onde publicar
Escolha o periódico pelo público que você quer alcançar e pelo escopo declarado, não apenas pelo estrato de avaliação. Verifique sempre o corpo editorial, a política de avaliação por pares e a transparência sobre taxas.
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