Métodos de Pesquisa em Psicologia

Métodos de Pesquisa em Psicologia

Como a Psicologia é uma ciência, ela se vale do uso do método científico para produzir conhecimentos. O método científico consiste de um conjunto das normas básicas que devem ser seguidas para a produção de conhecimentos nas ciências. Cada ciência usa seus próprios critérios para definir seus métodos e garantir o rigor de suas pesquisas e das evidências produzidas.

Embora os métodos científicos sejam mais ou menos iguais, cada ciência pode ter suas variações. A Psicologia tem seus métodos científicos que permitem aos psicólogos produzir conhecimentos nas mais diferentes áreas como Educação, Saúde, Comunidades e Família.

Alguns desses métodos incluem: estudos experimentais, quasi-experimentais, longitudinais, correlacionais, transversais, estudos de casos, estudos clínicos, estudos observacionais e descritivos, estudos de meta-análise.

Esses estudos podem ser mais qualitativos, isso é, baseados em análises estatísticas ou podem ser mais quantitativos, baseados nas descrições e interpretações do pesquisador. Embora o mais comum atualmente seja o uso de métodos combinados algumas vezes chamados de métodos quanti-quali.

Os estudos em Psicologia normalmente utilizam uma grande variedade de técnicas para a coleta de dados, por exemplo, podem ser usados testes psicológicos, questionários, entrevistas, observações e outras técnicas criadas de acordo com os objetivos das pesquisas.

O fato é que produzir conhecimentos científicos não é uma tarefa simples. Você precisa garantir que outras pessoas seguindo os seus mesmos passos vá encontrar os mesmos resultados, ou pelo menos resultados muito semelhantes.

Conhecimento científico não é uma opinião qualquer, um cientista não pode, por exemplo, simplesmente afirmar que terapias são mais eficazes do que ler livros de auto-ajuda se ele não fez uma pesquisa que mostrasse isso. Ele pode é claro se basear nas pesquisas de outros cientistas, mas suas afirmações devem ser baseadas em evidências científicas.

Os resultados de pesquisas científicas são fundamentais para a tomada de decisões em diferentes níveis, tanto em nível individual quanto coletivo. Desde o que pacientes com certos tipos de doenças podem comer, até quantos parafusos devem ser usados na construção de foguetes a quais os melhores tratamentos para doenças e quais os melhores métodos de se ensinar matemática, todas essas decisões são baseadas em evidências científicas e devem, portanto permitir controlar os eventos que ocorrerão caso você faça ou não faça o que está sendo dito.

Por essa razão os métodos científicos são sempre rigorosos e exigem cuidados dos cientistas. Aliás, um cientista deve sempre ser alguém que recebeu muito treinamento em pesquisas. Normalmente você deve primeiramente cursar uma graduação (5 anos no caso da Psicologia), depois realizar um mestrado (aproximadamente 2 anos) e cursar mais um doutorado (aproximadamente 4 anos), totalizando pelo menos 11 anos de estudos para que você seja considerado um pesquisador científico.

Porque é preciso tanto rigor?

Imagine que você queira saber qual terapia é mais eficaz para o tratamento de uma pessoa com depressão. Um modo de fazer isso seria perguntando para pessoas que tiveram depressão e passaram por terapia qual foi o método que fez com que elas fossem curadas. Mas o que aconteceria se por acaso a primeira pessoa que você pergunta te disser que a terapia A foi mais eficaz e a segunda pessoa te disser que a terapia B foi mais eficaz? Como você decidirá qual é a mais eficaz?

Você pode perguntar para mais pessoas, certo? Mas quantas pessoas seriam necessárias? E como você poderia garantir que a Terapia A e a Terapia B foram idênticas para todas as pessoas, que todos os terapeutas tinham a mesma experiência no manejo da terapia e que todos os pacientes tinham o mesmo tipo de depressão?

Agora imagine se o seu colega tem a mesma questão que você, mas ao invés de perguntar a pacientes ele resolva atender metade de seus pacientes usando a terapia A e a outra metade ele usa a terapia B.

O que você acha? Isso resolveria o problema de que os terapeutas tivessem níveis de experiência diferentes certo? Mas como garantir que todos os pacientes eram iguais em seu nível de depressão? Como saber se os pacientes que foram designados para um tipo de terapia já não estavam melhores do que os outros? Como garantir que seu colega era igualmente capaz de usar a Terapia A e a Terapia B?

Você percebe como essas coisas podem afetar as suas conclusões sobre qual é o melhor tipo de terapia? Por esta razão é preciso ter o domínio de métodos de pesquisa, para saber exatamente como você deve conduzir suas pesquisas de modo que os resultados sejam realmente aceitaveis por uma comunidade científica, não sejam apenas “falsas respostas” que surgiram devido aos seus métodos.

Resultados errados, frutos da má condução de pesquisas, podem, portanto, fazer com que decisões erradas sejam tomadas e gerem prejuizos e riscos as vidas de milhares de pessoas. Por isso, os métodos científicos são bastante rigorosos.

Saiba mais sobre o que é pesquisa científica clicando aqui.

2016-10-31T19:27:33+00:00

About the Author:

Doutor em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP), é Psicólogo (CRP/06 109086) e Bacharel em Psicologia (Universidade Cruzeiro do Sul) e Mestre em Psicologia da Educação (PUC-SP) e Atua principalmente nas áreas de Psicologia Escolar/Educacional, Psicologia Cognitiva, Neurociência Cognitiva e Psicologia do Desenvolvimento Humano. É fundador do Psicologia Explica e suas especialidades incluem: desenvolvimento cognitivo e da linguagem, alfabetização, desenvolvimento e educação infantil e avaliação de habilidades cognitivas.