Você se ajuda? Uma óptica sobre a literatura de autoapoio

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Autoajuda. Esse termo tem sido bastante utilizado, pelo menos desde a década de 1990, e também costuma ser alvo de antipatia, em especial entre os (as) psicólogos (as).

Lembro que na faculdade eram praticamente unânimes os comentários depreciativos dos professores em relação aos livros de autoajuda. Mas o que vem a ser mesmo este vocábulo? Bem, o dicionário online da língua portuguesa traz:

s.f. Prática baseada na utilização de seus próprios meios intelectuais para obter seus objetivos, metas ou solucionar problemas de cunho emocional, pessoal ou psicológico.

Um amparo essencial

Se formos parar pra pensar, todos nós necessitamos dessa capacidade. Mesmo que você não goste do termo em questão, todos nós precisamos estar autoconscientes de como estamos fazendo e sentindo algo. Isso quer dizer que toda a atenção voltada a nossas emoções e nossa forma peculiar de encarar o que nos acontece vai nortear a maneira como resolvemos nossos problemas ou como nos “autoajudamos”. Então, tal perspectiva não é exclusiva destes livros!

Qual a sua opinião?

Perguntei, informalmente, para diversas amigas (psicólogas) e colegas de profissão, bem como a alguns amigos de outras áreas, o que pensavam acerca dos livros de autoajuda, se já leram e qual a percepção compreendida. O resultado era esperado, pois a grande maioria reprova tal leitura e as justificativas são bastante semelhantes:

  • Inutilidade, “mimimi”;
  • Questões que necessitam de profundidade teórico-prática são tratadas com superficialidade;
  • Podem até servir para iluminar um pensamento, no entanto ineficientes para gerar mobilização do agir;
  • Manuais de receitas para o que deve ser, de fato, enfrentado;
  • Servem apenas para quem os escreve.

E também houve uma minoria de respostas a favor:

  • Sempre possível tirar algum proveito, algo positivo;
  • Leitura acessível que traz motivação e conforto.

E a Psicoterapia, como fica nessa história?

Nunca considerei os livros em questão como substitutivos da psicoterapia. Na verdade, acredito até que seria um contra-senso, já que a mensagem transmitida por um livro, por mais cuidadosa, bem-intencionada e criativa que seja, jamais se aproximaria da interação/relação que há entre terapeuta e paciente, bem como dos desdobramentos psicológicos que envolvem o processo de vivenciar uma terapia. É, realmente, incomparável. Também acredito ser muita presunção afirmar que os leitores dessa categoria necessariamente não procuram um (a) psicólogo (a). Sinceramente, não enxergo como situações excludentes.

A venda de sorrisos

Obviamente, é notável que o mercado da venda de livros de autoajuda vem se aquecendo. Basta consultar essa seção nas livrarias para se deparar com títulos os mais promissores possíveis, quase fórmulas matemáticas para o sucesso e a felicidade.

E o mais interessante: vendem MUITO! Qual o mistério? É simples: a globalização exige pessoas bem resolvidas, ágeis, que não perdem tempo jamais. Ah, o tempo… palavra valiosa! Muitos querem respostas rápidas no terreno do mínimo esforço e assim questões mais sérias, como por exemplo as emocionais/pessoais e até profissionais são negligenciadas, passando a serem encaixotadas em tópicos de “leituras fáceis”.

Na leitura da última página, ao finalizar o livro, o check list da resolução de problemas está todo assinalado, certo? Se você respondeu sim, parabéns, pois trata-se de uma exceção! Publique um livro ensinando como fazê-lo!

Ponderando os olhares

Brincadeiras à parte, não considero infrutífera a apreciação a tais livros, no entanto, pondero como imprescindíveis discernimento e maturidade por parte do leitor no sentido de não esperar a concretização de um feitiço ou algo do tipo.

Já lhe ocorreu um momento de reflexão, por mais breve que seja, ao assistir a um filme, escutar um diálogo, presenciar uma determinada cena ou ler uma frase? Penso ser bastante comum a resposta positiva. Então, por que isso também não pode ser provocado pela leitura de um livro de autoajuda?

Reitero uma das respostas que recebi, registrada neste texto, de que sempre é possível tirar algo de proveitoso, ainda que minimamente. Repensar os pré-conceitos também é uma maneira de se autoajudar.

Para finalizar, indico como bastante válida a consulta ao artigo “Contra o discurso comum sobre os livros de autoajuda”, do site Faro Editorial. Uma perspectiva interessante sobre o tema, abrangendo, inclusive, um pouco da sua história. Vale a pena a leitura.

Ainda que você discorde, vai estar se “autoajudando” com mais informação.

Referências:

Dicionário Online de Português. Disponível em: <http://www.dicio.com.br/> Acesso em 19 de agosto de 2015.

Faro Editorial, Contra o discurso comum sobre os livros de autoajuda. Disponível em:

<https://faroeditorial.wordpress.com/2013/12/02/contra-o-discurso-comum-sobre-os-livros-de-autoajuda/>  Acesso em 19 de agosto de 2015.

 

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Renata Rolim
Renata Rolim é Psicóloga (CRP 02/17827) graduada em Psicologia pela Universidade de Fortaleza, 2013. Tem experiência em Gestalt, Psicologia Clínica e Organizacional.