Habilidades Sociais – Parte 3: O Treinamento

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Como vimos nas duas últimas semanas em minha coluna (Parte 1 e Parte 2), as habilidades sociais são um conjunto de comportamentos verbais e não verbais que facilitam a comunicação entre duas ou mais pessoas. Nem todo mundo tem o dom de se comunicar bem, de forma clara e assertiva. Pessoas com dificuldades de comunicação podem sofrer consideravelmente. Além da sensação de não pertencer a um grupo social, um déficit nessas habilidades pode provocar bastante ansiedade. Pessoas com baixas habilidades sociais podem ficar nervosas para falar com desconhecidos, manter conversas, falar em público, fazer ou responder críticas e paquerar, entre tantas outras situações cotidianas.

A boa notícia é que existem maneiras de trabalhar e desenvolver essas habilidades. O treinamento em habilidades sociais é um trabalho realizado geralmente por psicólogos, que fazem uso de técnicas comportamentais para ensinar e treinar aos seus clientes os comportamentos a serem aprimorados. Este trabalho pode ser realizado individualmente ou em grupo, sendo esta última modalidade bastante defendida pelos especialistas dessa área. Pode parecer um tanto tenso um grupo formado por pessoas que se consideram com poucas habilidades sociais (como eles vão se encarar? Como se soltar perante outras pessoas, se essa é a dificuldade de todos?), mas há várias vantagens em realizar este trabalho em conjunto. Grupos proporcionam maior feedback entre os participantes, além de já ser um trabalho terapêutico por expor as pessoas entre si. O grupo está ali para dar suporte quando surgirem dificuldades e reforçar quando a pessoa estiver conseguindo melhorar suas habilidades, até porque todos estão ali para um mesmo fim.

O treinamento em habilidades sociais consiste em alguns passos: aprender teoricamente as habilidades sociais básicas para um melhor desempenho nas relações; identificar os padrões de comportamento que precisam melhorar (e quais pontos são problemáticos); trabalhar a leitura dos ambientes por meio de observação; praticar ensaios comportamentais em sessão com o terapeuta especializado (tipo um teatrinho mesmo) e, finalmente, treinar tudo que foi aprendido em situações reais (o que inicialmente pode ser feito com o acompanhamento do terapeuta, de outros participantes do grupo ou até individualmente).

Há vários tipos de trabalhos em habilidades sociais, tanto para crianças como para adolescentes e adultos. Alguns são focados em melhorar relacionamentos em geral, recorrendo a vários tipos de contextos e situações. Esse trabalho é bastante indicado para pessoas com Ansiedade Social, por exemplo. Também é o caso dos grupos focados em pessoas com Síndrome de Asperger, um tipo de autismo leve em que a pessoa tem dificuldade em interpretar as expressões e possíveis reações dos outros perante seus comportamentos. Por outro lado, bastante comum encontrarmos grupos para desenvolver habilidades sociais específicas, como falar em público e paquerar, por exemplo.

Uma boa comunicação é fundamental para nos sentirmos seguros e satisfeitos nos ambientes que frequentamos. Sofrer por isso é uma opção, uma vez que existem formas práticas (e até divertidas) de melhorar a forma de se expressar. Como o próprio nome já diz, as Habilidades Sociais são HABILIDADES. E como toda habilidade, a gente pode praticar para se aprimorar.

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Jessye Cantini
Psicóloga (CRP 05/40442) pela UFRJ, Terapeuta Cognitivo-Comportamental, Mestre em Saúde Mental pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB/UFRJ). Atua como psicóloga clínica em consultório particular. Membro da Associação de Terapeutas Cognitivos do Rio de Janeiro e da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas. Seus principais temas de estudo são os transtornos de ansiedade e de humor (com ênfase em transtornos fóbicos), além de seus respectivos tratamentos.