Envelhecer é perder a autonomia?

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O envelhecimento pode ser compreendido como um acontecimento global e irreversível, pois o homem possui um tempo limitado para sobreviver, e consequentemente, no decorrer da vida passa por mudanças biológicas, psicológicas e sociais. Gradativamente os impactos gerados nessa transição começam a aparecer. Mas é necessário que haja uma conscientização de que o envelhecimento não está atrelado unicamente á incapacidade e a patologia.

Esse é um fenômeno relativamente novo, pois em séculos passados, esse público era mínimo. Sendo assim, é importante uma nova forma de compreender maneiras para lidar positivamente com o envelhecimento. Através de estudos, conseguiu-se alcançar a longevidade, contudo, se faz necessário compreender que os familiares responsáveis e o grupo social em que o idoso convive, precisam ajudá-los a manter sua dependência e autonomia nessa transição.

Afazeres que geralmente são simples e fáceis para os jovens, tornam-se difíceis para o idoso. Como por exemplo: tomar banho, colocar uma roupa ou um calçado ou até mesmo atravessar à rua. Portanto, é necessária, uma adaptação para tornar as atividades rotineiras simples e estratégias para deixá-los longe de risco de acidentes. Uma dica para facilitar o cotidiano seria: anotar num papel as tarefas que devem ser executadas em seu dia-a-dia, como por exemplo, os horários de tomar os remédios e principalmente demais atividades que passaram a praticar recentemente, pois a probabilidade de esquecimento torna-se maior, pela falta de hábito.

Outra dica é ter horários pré-estabelecidos para executar as tarefas do cotidiano, incluindo: as refeições, os exercícios físicos, o lazer e o descanso. Repetir as atividades nos mesmos horários ajuda a manter uma organização no tempo e até mesmo na mente e no corpo, pois se torna um hábito saudável em que o equilíbrio torna-se parte da rotina. É importante que a família estimule esse costume ao idoso, pois através disso ficará mais fácil estabelecer um hábito saudável e, além disso, uma convivência harmoniosa e com respeito mútuo entre os membros familiares. O estabelecimento de acordo ajudará o idoso a ter uma rotina tranquila e estável, o fazendo sentir seguro de si e com a certeza que pode contar com o apoio e cuidado dos que lhe rodeia.

Outra sugestão é mostrar ao idoso a sua importância no convívio social, pois o mantém capacitado para interagir de forma saudável, a fim de conquistar aquilo que necessita para permanecer em progresso e manter aquilo que já foi aprendido no decorrer de sua história. Isso os garante qualidade de vida e os ajudam a adaptar-se às novas transformações que o envelhecimento lhes dispõe. Sobretudo, terão, provavelmente, mais condições de serem sucedidos na atual etapa, uma vez, que, possuem meios de executar aquilo que necessitam.

É importante também, que se desenvolva a autoconfiança, pois torna a pessoa independente, uma vez, que conduz sua vida e enfrenta as dificuldades do cotidiano de forma positiva por ter desenvolvido sentimentos de segurança, de satisfação, de coragem, entre outros. A autonomia e independência que é conquistada através da autoconfiança, também trazem benefícios e vantagens ao ser humano e em especial ao idoso, pois incentiva a sua capacidade de fazer escolhas, de tomar decisões baseado nas suas próprias opiniões e de emitir comportamentos de “comando” sobre o ambiente de convívio social. Neste caso, é de essencial importância que esses comportamentos sejam estimulados e/ou ensinados ao idoso.

Outra característica importante para favorecer o idoso, é o sentimento de autoaceitação. Pois implica ao ser humano, em geral, uma atitude positiva, em relação a si próprio e à sua história de vida. Pois se consegue aceitar características positivas ou negativas de si mesmo. Para isso é imprescindível à autoestima positiva que foi desenvolvida ao longo da vida. Ou seja, se a autoestima e autoconfiança foram bem estruturadas, dificilmente fica-se na dependência emocional e a possibilidade de não desenvolver patologias graves aumenta. Além de tudo, reduz o risco de sentir-se abandonado pela família, amigos ou cônjuge. Posto isso, a história de vida da pessoa determinará qual o perfil que possivelmente ela terá. Mediante a tudo que foi exposto, deixo uma pergunta: envelhecer é perder a autonomia?

REFERÊNCIAS

GUILHARDI, H. J. Auto-estima, autoconfiança e responsabilidade. In M. Z. S. Brandão et al. Comportamento humano: tudo ou quase tudo que você queria saber para viver melhor. Santo André: Editora Esetec, 2002.pp. 63-98.

LARANJEIRA, C. A. S. de J. Do vulnerável ser ao resiliente envelhecer: revisão de literatura. Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, v. 23, n. 3, Sept. 2007.

ZIMERMAN, Guite I. Dificuldades da família com o velho. Velhice: aspectos biopsicossociais. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

 

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Lilian Serafim de Carvalho
Psicóloga clínica (CRP 06/123935), analista funcional e comportamental, além disso, ministra palestras para casais. Atua na relação familiar, com o foco nas necessidades cotidianas do casal.