Atypical – uma série sobre autismo que deve ser vista!

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Que a Netflix produz ótimos conteúdos a gente já sabe, e arrisco a dizer que agora ela acertou em cheio – mais uma vez! Atypical é a nova série que mostra o dia-a-dia de um jovem autista, suas descobertas, vontades e dificuldades.

O seriado mostra Sam, um jovem de 18 anos que, interessado em começar a namorar, tem que aprender algumas regras sociais e entender como esse universo – diferente daquele em que vive – funciona. De forma engraçada e bastante respeitosa, Atypical mostra o amadurecimento e desenvolvimento de alguém que nem sempre é bem compreendido pelas pessoas que o cercam.

O Transtorno do Espectro Autista – TEA – inclui diversos distúrbios caracterizados por complexas desordens cerebrais que geram dificuldades na comunicação social e comportamentos repetitivos. Além disso, é possível que haja associação com deficiência intelectual, de coordenação motora e de atenção. O indivíduo com TEA pode ter também alguma forma de sensibilidade sensorial intensificada (em qualquer um dos cinco sentidos: tato, visão, audição, paladar e olfato) e isso pode vir a dificultar o conhecimento adequado de seu próprio corpo. Além de tais características, a mais marcante é o comprometimento da capacidade de se comunicar com os outros, entender ironias, expressar o que sente e entender sentimentos de outros.

Infelizmente ainda não se sabe exatamente o que causa os Transtornos do Espectro Autista, e nem existe uma cura, mas há excelentes formas de se trabalhar com esses indivíduos para que suas dificuldades sejam minimizadas e eles possam interagir e ter um desenvolvimento saudável. A terapia mais indicada para crianças com TEA é a Comportamental e uma das técnicas utilizadas é a Análise Aplicada do Comportamento (ABA), método com embasamento científico que tem trazido ótimos resultados em suas intervenções. De maneira simplificada, a metodologia tem como objetivo substituir comportamentos inadequados por funcionais e assim melhorar de forma considerável a interação social e o comportamento verbal da criança.

Alguns sinais importantes para detectar o autismo em crianças podem ser observados e são eles: pouco interesse em crianças da mesma faixa etária, dificuldade em brincadeiras de faz de conta, fixação em um só assunto, estresse em mudanças inesperadas, dificuldade de fixar o olhar em outras pessoas, repetição de movimentos e não olhar quando chamado pelo nome. Apesar de serem características visíveis, esse diagnóstico só deve ser feito por profissionais capacitados para tal.

Voltando ao início do texto, podemos perceber muitas dessas dificuldades em Sam, personagem principal do seriado, porém o que mais chama a atenção é que a produção mostra também as dificuldades enfrentadas pela família do jovem. Um pai com certas limitações para interagir com Sam e uma mãe bastante protetora que abdicou de sua vida para cuidar do filho. Intercalando momentos dramáticos e de comédia, Atypical mostra o impacto de um jovem autista dentro da família e como todos tem que se adaptar para que possam viver da melhor forma possível.

Ao contrário do seriado “13 Reasons Why”, Atypical apresenta com seriedade e responsabilidade esse assunto que ainda é pouco discutido na nossa sociedade. Com um formato agradável, é uma série que tem tudo para agregar informação a todos.

Vale a pena preparar a pipoca, conferir o seriado e de quebra aprender sobre esse universo ainda pouco conhecido do autismo!

 

 

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Alice Frungillo Lima

Psicóloga (CRP 06/125168) formada pela Universidade Federal de São Carlos, terapeuta comportamental, especialista em Terapia por Contingências de Reforçamento. Tem experiência com atendimento de crianças, adolescentes e adultos e acompanhamento terapêutico nas áreas de habilidades sociais, manejo de contingências e hábitos de estudo. Atualmente trabalha na área clínica no Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento (ITCR – Campinas) e na Sociedade Campineira de Atendimento ao Deficiente Visual (Pró-Visão) com atendimentos para deficientes visuais e família. É supervisora de atendimentos clínicos no curso de Formação de Terapeutas Comportamentais no ITCR – Campinas, além de monitora do curso de Princípios Avançados do Comportamento do Curso de Especialização em Terapia Comportamental.